Trabalhos

  • Meus

    Meus homens, meus amigos, meus desejos, meus objetos, meus sonhos.

  • Men

    Uma manifestação política e uma homenagem a beleza masculina através do desenho realista e das cores vivas do pop.

  • Santificados

    Vamos pensar em Maria. A mulher responsável pela educação e ética daquele que seria responsável por mudar o rumo da história. A mulher geradora da vida e da verdade, que ainda é relegada a um segundo plano, inferior a de seu filho, por algumas correntes. O que teria sido de Jesus sem esta mulher que o amamentou, ensinou os primeiros passos e mostrou o caminho do que era o certo e o errado? Vamos pensar no valor e no poder da mulher/mãe. Mas também não nos esqueçamos de Maria Madalena, que negou as tradições e seguiu sua verdade, mesmo a contra gosto de sua família. A mulher forte que segue sua vontade com determinação, a primeira a abraçar um novo ensinamento. Vamos falar de Joana, a guerreira, que lutou por um Deus masculino para libertar uma França dominada por homens, foi declarada bruxa e  teve como agradecimento a fogueira.

    Nessa história, composta de mulheres e homens simples, é bom relembrarmos que quase tudo aquilo que é adorado hoje, que boa parte das pessoas idolatradas, foram mortas por seus contemporâneos por discordarem das verdades vigentes. Jesus, filho daquela mulher/mãe, não foi crucificado por ser um rei de outro mundo, isto até foi motivo de chacota. Mas ele, assim como outras 30 mil pessoas, sofreu na cruz por discordar dos padrões vigentes, por questionar os fatos e principalmente por não se curvar a verdades antigas. “Daí a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”, uma verdade ainda não compreendida.

    Se fossemos honestos com nossas verdades mais íntimas, não teríamos medo das conseqüências de nossos atos, como João Batista que teve sua cabeça entregue numa bandeja, por querer ser honesto e difundir a verdade. Sua cabeça foi arrancada para que os segredos dos poderosos fossem silenciados. Afinal, Herodíades não poderia permitir isso.  Conectado a natureza, sempre envolto em peles, ele nos lembra da nossa conexão com o animal e com o primitivo, algo que foi esquecido. Se nos despojássemos de nossa capa, nossa espada e nos apresentássemos nus tendo apenas nosso amor, talvez com a coragem de Jônatas que desafiou o próprio pai para auxiliar seu amigo Davi,  que o amava mais do que as mulheres, se não temêssemos a lança da dominação política  como o mártir Mateus Moreira, quem sabe muitos dos problemas seriam resolvidos, não importa se nosso coração fosse arrancado pelas nossas costas... Quantas vezes isso já não aconteceu?

    Se protegêssemos nossos companheiros como Sérgio fez com Baco, seu amor, se nos entregássemos ao próximo como São Francisco o fez com os leprosos e a natureza esquecida, se levássemos a vida cheia de alegria como Santo Onofre, ou abraçássemos nossa carne como São Sebastião, talvez não estaríamos sozinhos no frio e no relento. Talvez pudéssemos seguir abraçados na noite escura como os 40 mártires de Sebaste. Talvez materializássemos nossas armas para, assim como São Jorge, matarmos o dragão da intolerância, da raiva e da perseguição que aprisiona nosso maior sentimento, o amor.

    Podemos errar, mas a cada passo em direção a verdade da vida, ou seja, da percepção do outro e de nós mesmos, nos livramos um pouco dos fardos que carregamos. São Moises, o negro, que não é muito lembrado nos dias de hoje pela cor de sua pele, já nos ensinou essa verdade. Assassino, ladrão arrependido, carrega um cesto de areia com um furo que a cada passo deixa esvaziar um pouco de seu peso. Cada um sabe o tamanho de seu cesto.

    Que possamos nos espelhar na vida, real ou legendária, dessas pessoas, perseguidas pela população, pelos poderes políticos e por mentiras, mas que hoje são amadas e nos servem de exemplo de resignação e de luta

    Vamos falar sobre visão, sobre amor e sobre reconhecimento. Que possamos ver através dos olhos da alma e não da carne, como Santa Lúcia o fez: somos SANTIFICADOS.

  • Rainbow Collection

     A mostra RAINBOW COLECTION brinca com as cores do arco Iris e o corpo masculino em imagens que mesclam o realismo contemporâneo e clássico. São pinturas representativas do universo masculino que atravessam o tempo,  no que é referente ao ideal de “ser” ou “desejar”. 

     Do pai do halterofilismo no século XIX, passando por atores pornô e modelos fotográficos do século XX chegamos ao homem comum. Postos lado a lado suas identidades se perdem e estes são  equilibrados com cores quentes e frias que moldam as formas do corpo no suporte. 

    Existe aqui em meio as cores,  uma beleza divertida as vezes fútil, em outras silenciosa, que nos abstrai. Porém  alguns detalhes podem trazer uma advertência:  a violência contra nós mesmos e contra os outros, proferida as vezes por palavras e outras por gestos, que deixam marcas que preferimos ocultar, mas que aqui são expostas de forma a não serem ignoradas. 

    Observando essa miscelânea de cores e sensações, brincamos, nos divertimos  e refletimos com as inúmeras possibilidades de matizes e mesclas que podem surgir de nossa imaginação. 

  • Humano Esferográfico

    A sequencia de desenhos criados para esta proposta usa a caneta esferográfica, um utilitário popular, comum em escritórios e nas nossas casas, para produzir imagens de figuras humanas focadas em suas expressões, captando assim a espontaneidade de um personagem. Um momento único vivenciado pelo modelo retratado e presenciado pelo artista . Busca-se uma composição onde a forma seja moldada pela técnica para criar os efeitos esperados. 

    Cada imagem representa um pequeno detalhe do HUMANO. O erótico, a tristeza, a fúria assim como o orgulho e a beleza são pequenos fragmentos da nossa faceta que se fazem presentes nos traços azuis da caneta esferográfica. 

    Os modelos são amigos e conhecidos que revelam sua intimidade para criar uma atmosfera única. Nas obras eles perdem sua identidade e criam, o que para muitos, seriam personagens presos em uma ação demonstrando todo o tipo de sentimentos. Em seus olhos e gestos, pode-se desvendar sua história ou suas atitudes momentâneas, criando assim um movimento de ideias que transpassa a imagem retratada. Podemos nos identificar com cada um deles, ou criar uma história baseada em nossas fantasias através do olhar simples e enigmático de cada uma das figuras representadas. 

    Somos únicos, mas comuns, iguais, porém diferentes. A caneta esferográfica entra como instrumento de produção artística, por ser algo simples, inovador e incrivelmente adaptável... Assim como todos nós. 

    “Busco retratar em meus desenhos a máxima realidade que pode ser alcançada por minha técnica. Devo admitir que sou apaixonado pelo Hiper Realismo dentro do desenho, a mais básica das técnicas artísticas, sendo assim meus personagens aproximam-se do real dentro da minha visão particular. Para mim somos todos solitários, apenas compartilhamos nossas vidas com outros, se assim o desejarmos. Portanto meus personagens são retratados sem um fundo, em sua maioria, sendo apresentados nus em pele e sentimento. Não há interferência de uma paisagem ou ambiente, pois desejo que eles sejam vistos pelo que são, sem influências, perdidos no vazio do Branco da Folha.”

  • POP PORN

    Esta proposta artística tem como objetivo criar uma releitura, através da pintura com tinta acrílica, das fotografias eróticas do século XIX. Utilizando estas imagens como ponto de partida para a criação e produção de telas em formatos grandes e médios, surge uma série de trabalhos sob a visão do erotismo e da história do homem moderno. Sabendo que estas imagens durante o período do surgimento da fotografia eram veladas e tidas como promíscuas, mas que hoje tem o apelo artístico a seu favor, surge o questionamento do que é a arte e quais os limites da moralidade social. 

    Utilizando a linguagem da pop arte, em especial a de Roy Lichtenstei, o artista cria uma sequencia de imagens com o olhar contemporâneo sobre a beleza da sexualidade e do erotismo na trajetória do homem.

    O olhar do homem moderno sobre o seu passado, instiga novos pensamentos e conceitos sobre o mundo atual que o circunda. Quais padrões de moralidade mudaram em um século de história para que o imoral e absurdo, pudessem hoje ser tidos como belos e maravilhosos. 

    As telas produzidas buscam representar essa trajetória através de cores vivas e traços fortes, característicos da pop arte.